10 setembro 2007

A raíz da mandrágora

Meia garrafa de água com sede de olhos castanhos espera o meio-dia para aquecer o coração que trespassa o vidro sujo da janela em bico de pássaro azul com medo de ser verde e de ser pássaro que voa para trás e sobe o eléctrico amarelo que chia em pessoas despenteadas e abana a água que cai e que se verte em mar sem estar quente e sem estar mar e sem estares. Aqui. Onde ficámos sozinhos a olhar para o abismo, para a cara sorridente da loucura.

17 Comments:

At terça-feira, setembro 11, 2007, Blogger Andreia Ferreira said...

Queria dizer-te alguma coisa. Que não, a loucura não tem cara sorridente. Não nos aguarda, aos que já estão marcados, destinados a ir ter com ela... Mas não consigo. Por isso, concordo contigo... A loucura tem cara sorridente. E um abraço caloroso.

 
At terça-feira, setembro 11, 2007, Blogger Mateso said...

A mandágora também é sinal de amor, que o diga Julieta ou a mãe de Ofélia... mas a mandrágora é mítica ,e os mitos têm o seu quê de ...?
Beijo.

 
At terça-feira, setembro 11, 2007, Blogger farfalla said...

e não é que ela sorri mesmo? :)

beijo

 
At sexta-feira, setembro 14, 2007, Blogger joão marinheiro said...

E depois! E depois! E depois!Não importa a cor do arco iris do passaro, a sede da água na garrafa, ou o contrário. ou o electrico raro já. Amarelo desbotado, e carcomido. Voltamos ao mesmo. Sempre. Tens razão.
"E sem estares. Aqui"...

Abraço junto ao mar com memória por dentro.

 
At sexta-feira, setembro 14, 2007, Blogger CNS said...

Não sei se contas os teus sonhos, ou se levo daqui o ideia para um sonho meu...

bj

 
At sábado, setembro 15, 2007, Blogger musalia said...

o abismo atrai...
gostei da foto :)

 
At segunda-feira, setembro 17, 2007, Blogger João Vasco said...

De que cor era o abismo?

bj

 
At segunda-feira, setembro 17, 2007, Blogger Maria del Sol said...

Não penses que te safas, este vai ser o fim dos teus dias de sossego ;)

Gostei do exercício de escrita torrencial, destes exercícios saem por regra melhores resultados que da escrita filtrada pela censura consciente.

Beijinhos :)

 
At segunda-feira, setembro 17, 2007, Blogger Bruna Pereira said...

Marisol:

Adivinham-se dias solarengos neste Inverno por chegar ainda. Bem-vinda à minha vida. Amiga.

:)

 
At segunda-feira, setembro 17, 2007, Blogger Diogo Cordeiro said...

continuo sem saber quando e em que contexto tinha passado pelo teu blog, no entanto digo que gosto dessa forma de escrever...Por aqui passarei mais vezes....

Beijos,

Diogo

 
At terça-feira, setembro 18, 2007, Blogger carteiro said...

Palavras embriagadas de vida, que rodopiam pelos nossos olhos... explosão de cores, sombras, ventos e movimentos...

 
At quinta-feira, setembro 20, 2007, Blogger Beatriz said...

O electrico amarelo, as pessoas despenteadas, essa água do mar... xD
a loucura é capaz de nos ajudar a enfrentar o dia. definitivamente!

abraço apertado****

 
At segunda-feira, setembro 24, 2007, Blogger Rui Luís Lima said...

olá bruna!
após uma ausência motivada pelas férias, estamos de regresso e como sempre ficámos fascinados pela escrita da "mandragora".
beijinhos
paula e rui lima

 
At segunda-feira, setembro 24, 2007, Blogger Inês Caridade said...

menina dos olhos doces que escreves como quem pinta e por isso e por muito mais sorri. plim. cheguei. =)

 
At segunda-feira, setembro 24, 2007, Blogger Bruna Pereira said...

Inesita:

Está quase, não está?
Plim*

 
At sexta-feira, novembro 02, 2007, Blogger Álvaro Reis said...

Muito bom!
Sabes... Também (...) "eu tenho a minha loucura!/Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,/
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios..."
Obrigado por partilhares a tua original loucura com a minha emprestada loucura! :)
Beijos

 
At sexta-feira, novembro 02, 2007, Blogger Álvaro Reis said...

P.S. Ah... a citação era do José Régio, no "Cântico Negro"

 

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