18 outubro 2006

Gato


Rasga a unha cheia de rato o gato da minha varanda.
Não corre, não mia, não anda.
É gato de faz-de-conta.
Sempre à espreita duma espinha,
Mas sempre espinha nem vê-la.
- Que fará ele à janela?
- Que fará ele na minha?
A noite deu-lhe um luar.
O preto fica-lhe bem.
É gato de fantasia.
Não anda, não corre, não mia.
É gato sem se prender a uma vida vezes sete
E ao depressa que se morre.
Não mia, não anda, não corre.
É gato de prateleira.
Que me deram e eu não sei.
Que me deram e eu quebrei.
Que me arranha e eu deixei.