22 julho 2008

Versos para Dona Jacinta

Bem branco, plissado,
vestido bonito vai bem envergado por Dona Jacinta.
Mulher do General, só veste, só usa vestido com pinta,
em bolinhas de cor.
Salta as divisões da casa com o vento nas saias.
Direita, esquerdina, anda de primor,
mais o fáchabor
que a torna bonita.

Chegada à varanda, sentada no banco,
repousa Jacinta as pernas cansadas
e, de mãos cruzadas, pensa no jantar:
Batatas assadas.
- Redondas? Quadradas?

(No vestido branquinho, sem estar desenhado,
no meio das pintas depressa pintado
recorda Jacinta um verso de amor,
dos tempos de guerra, em que era enfermeira
e havia um soldado e estava solteira.)

Redondas! (as batatas, que os versos fazem mal...)
E amarrota Jacinta nas pintinhas pretas
cantigas de amor, sonhos, estorietas…
Enquanto limpa do avental
palavras soltas de bolas-letras.

Que às oito em ponto vem o General.

4 Comments:

At sexta-feira, julho 25, 2008, Blogger Amanda Ferreira said...

Você escreve seus poemas?
São lindos, mesmo.
Eu escrevo, mas ainda não me atrevi a postar.
Onde buscas inspirações pra lidar com esse blog?
Parabéns por ele

 
At sexta-feira, julho 25, 2008, Anonymous nibs said...

versos não. receitas.
é um acto de gulodice vir aqui.
:)

 
At sábado, julho 26, 2008, Blogger Maria del Sol said...

Descobri a protagonista dos teus versos:

http://www.ibiblio.org/wm/paint/
auth/manet/manet.balcony.jpg

Lá está ela, impecavelmente de branco, de olhar perdido nas grades da varanda. :)

 
At terça-feira, agosto 05, 2008, Blogger Bolhinha Mágica said...

mesmo lindooo :)


beijinho mágicO*

 

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