26 janeiro 2007

Era uma sopa e uma tosta mista, pode ser?

Tinha o medo escondido na ponta dos cabelos. Loiros. Por isso os atava num penteado amigo que dava abraços de elástico verde-alface. Olhava o mar num dia de frio e esperava a visita das ondas com um frasco onde guardava a Lua para fazer marés. Tinha peixes no bolso. Água nos olhos. Era uma praia em calças de ganga à sombra duns óculos de sol. Sorria sozinha à espera que o vento a convidasse para voar num papagaio de papel. Mas fugia sempre antes das duas da tarde. Não porque amainasse o tempo, mas porque era o fim da hora de almoço.
Pagou a conta da esplanada à beira-Tejo, sacudiu a areia dos ombros e levou o frasco do Compal de pêssego, ainda a meio da minha estória.
Fiquei com a mesa só para mim e reparei como as cores do papagaio escorrem pelo tempo fora.

13 Comments:

At sábado, janeiro 27, 2007, Anonymous diana said...

o que escreves traduz se numa metáfora gigante, mas uma metáfora irreal. por isso mesmo é que as tuas palavras se tornam tão bonitas e desejáveis, pelo sonho.

 
At sábado, janeiro 27, 2007, Blogger Claire said...

Eu tinha um papagaio de papel, um dia ele saiu voando por aí. E eu bem queria acreditar que ele continua a voar, mas a realidade grita, e é outra.

 
At domingo, janeiro 28, 2007, Anonymous Anónimo said...

Passei por aqui para te dizer que adoro o que escreves. Continua assim!
Bjs sofia-sama

 
At segunda-feira, janeiro 29, 2007, Blogger Avusa said...

Sabes, o teu sonho de tão fantástico que se torna aos meus olhos, acaba por me levar as palavras…

bjs

 
At segunda-feira, janeiro 29, 2007, Blogger Vanessa said...

Hoje nem sei que dizer...

Beijinhos Bruna*

 
At segunda-feira, janeiro 29, 2007, Blogger pensamentos_vagabundos said...

cada vez me encantas mais...
beijo vagabundo

 
At segunda-feira, janeiro 29, 2007, Blogger Bela said...

Ler-te é como olhar uma pintura de Dalí...

Beijinhos

 
At terça-feira, janeiro 30, 2007, Blogger musalia said...

e feliz, voava no papagaio-arco-íris, roçando a espuma do mar de lua escondido na alma.

um beijo:)

 
At terça-feira, janeiro 30, 2007, Blogger Uma mulher said...

a cada dia me impressiono mais com a forma q escreve, e gostaria verdadeiramente de saber onde vem sua inspiração?quais leituras,enfim..
um super bjo, e sobre o amor verdadeiro qdo encontrar te falo sim!rs

 
At terça-feira, janeiro 30, 2007, Blogger Professor said...

Porque ficaste sozinha? Eu tinha ido com ela a ver se o papagaio de papel também podia comigo e nos levava aos dois! É que uma praia em calças de ganga à sombra de uns óculos de sol,não se encontra todos os dias.
Beijinhos

 
At terça-feira, janeiro 30, 2007, Blogger Bruna Pereira said...

Uma mulher:

Não sei que dizer, a não ser que leio tudo o que me aparece à frente: do suplemento de receitas da revista "Mulher moderna", passando pelos dicionários de Latim e de Filosofia, até chegar aos livros para crianças de 6 anos. Sim, gosto de Sylvia Plath e outros mais... Mas é uma questão de misturar coisas com pouco juízo e muitas saudades.

:)

 
At terça-feira, janeiro 30, 2007, Anonymous ferrus said...

Deixas-me com ondas no olhar ao ler as escorreitas palavras de geleia que escreves com as penas da alma.
Fico extasiado!...
Mesmo tratando-se de memórias pintadas de saudade ou de dor...
Beijinhos

 
At quarta-feira, janeiro 31, 2007, Blogger Mikas said...

Tanta cor..... faz-me sorrir pelo dia fora

 

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