25 julho 2007

15 minutos

Ele há dias em que as vidraças espirram luz prateada polida ao sol.
Relíquia imensa para dois só olhos.
Uma vontade de saltar com as pernas paradas enquanto o café espera na mesa. Desespera de açúcar. Aos cubos. Aos cubos. Em frascos de vidro que não ouvem segredos. Em pó. Calados às tampas.
Gosto que tenham descoberto que o meu planeta é redondo. Sem me explicarem nada.
É tão bonito não saber como os desertos se seguram de cabeça para o ar.
E dobrar um guardanapo. Com as mãos à espera do abraço que só aparece amanhã. Talvez.
Se chover, levo o guarda-chuva. O das pintinhas. Da minha casa ao limoeiro são 15 minutos de ontem. Não faz falta sombra, eu sei o caminho.
- Esperas por mim?

20 julho 2007

Era uma vez

O mundo não existe.
As meias brancas sim.
Tudo o resto cabe num aperto de mão.
Em flor.

12 julho 2007

Assim quase retrato

Era tudo plano plano plano. Via-se mundo para além do ar.
Ao fundo.
E campos de malmequeres em amarelo-flor. O tempo ondulava de pó e umas poucas pestanas fugiam dum pequeno rasgo de cegueira importunado por cabelos lisos.
Era não sei.
Seriam três raios de sol forte e um rosar de faces.
Era isso.
E o marulhar das cascas de cortiça num volume bem alto. E sobreiros grandes, de folhas grandes, de lenha grande em abraços grandes. E um poste eléctrico à esquerda da sombra. Meio pássaro pousado e outro meio a fugir com os olhos.
E querer voar e já ser ontem, enquanto pessoas passeiam as mãos a caminho do lado de cá da fotografia.
O sorriso.

04 julho 2007

Cabra-cega

Era um estado em trampolim.
Um amargo espadachim,
almocreve mal cansado.
É uma bola de sabão
de um espelho não quebrado.

(Às vezes há pessoas que se perdem nos bosques).

02 julho 2007

Incolormente

Se o amor fosse verde, os sapos nasceriam das macieiras.
Se o amor fosse laranja, o sumo servir-se-ia em corações de vidro.
Se o amor fosse amarelo, o sol escaldaria de noite.
Se o amor fosse azul, o mar rebolaria na boca.
Se o amor fosse às cores, os desenhos de casas teriam sempre duas janelas.
E cortinas brancas a esvoaçarem.
E um rouxinol.
E uma máquina de escrever.
E flores na varanda.
E.